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Em busca do imaginário infantil

A Arca de Noé



Apresentação

O projeto propõe criar situações de interesse tanto individual quanto coletivo, ressaltando as artes visuais, o movimento, o conhecimento de mundo, o conhecimento de si e do outro, a importância da linguagem escrita, da linguagem oral, valorizando outras áreas do conhecimento: Matemática, Ciências Sociais, Música; além de explorar brincadeiras construtivas.

O trabalho pedagógico é valorizado quando os poemas são usados como intervenções pedagógicas seguidas de orientações didáticas e objetivos a serem alcançados. A escolha de A Arca de Noé, de Vinicius de Moraes, é devida à grande contribuição do livro, que reúne poemas infantis com caráter lúdico.

A partir de um projeto pedagógico, o facilitador é capaz de interagir, promover questionamentos, sugerir desafios aos educandos através de estímulos e situações-problema ou atividades elaboradas por meio dos conhecimentos prévios do aluno determinado, com a objetividade que se busca alcançar.

O aluno pode ser estimulado a participar de situações de comunicação oral por meio dos poemas, habilitando-o progressivamente a expressar desejos, necessidades, vontades e, principalmente, sentimentos, utilizando-se de gestos (mímicas) quando necessário ou solicitado, viabilizando o uso da inteligência cinestésico-corporal; enfim, permitindo, através da leitura do poema, a “brincadeira” com as palavras, reproduzindo-as verbalmente com: parlendas, trava-línguas, quadrinhos, adivinhas e canções. O CD da obra servirá como material de apoio.

A linguagem escrita pode ser incentivada quando o educando vivencia um ambiente intelectualmente estimulante, onde observa e explora o espaço com atitude de curiosidade, percebendo-se como sujeito ativo, capaz e transformador. Com uma metodologia dinâmica, o facilitador é capaz de instigar a criança a apreciar a leitura de história, vivenciando emoções, estabelecendo identificações, exercitando a fantasia e a imaginação; e familiarizá-las com os diferentes gêneros de textos, auxiliando a distinguir poemas (ou histórias) de uma notícia de jornal, e viabilizando, por sua vez, a inteligência lingüística ao trabalhar receitas, jogos de palavras, poemas, quadrinhos.

As contribuições do projeto A Arca de Noé sugerem para o professor significativas propostas de trabalho em sala de aula, permitindo que o docente envolva seus educandos em situações de contínuas construções ao longo do desenvolvimento do projeto, que poderá ser de aprendizagem, empreendimento ou até mesmo de temas cíclicos. As intervenções pedagógicas permitirão, ainda ao mediador, o exercício constante da práxis pedagógica, de reflexões, busca da autonomia progressiva e a criação de possibilidades para sua produção ou sua construção.

Objetivo do Trabalho

Promover nos educandos o apreço pela leitura, trabalhando o tema a fim de alcançar os objetivos pedagógicos desenvolvidos com base em intervenções pedagógicas inovadoras e criativas, favorecendo o desenvolvimento cognitivo e sociocultural das crianças, voltados para os desafios da pesquisa e da integração, estimulando, assim, a criatividade inata do aluno por meio de uma reflexão.

Partindo desse pressuposto, quando as várias formas de conhecimento são estimuladas, todas as linguagens são sugeridas — a exemplo de leitura simbólica, leituras plásticas, músicas, pinturas, dramatizações, recontos, teatro de fantoches e colagens —, estimulando as diversas inteligências: lingüística, lógico-matemática, espacial, sonoro-musical, cinestésico-corporal, naturalista e interpessoal.

Nesse modelo de práxis pedagógica, é de extrema relevância o respeito ao processo de ensino–aprendizagem dos educandos, em que todos os sujeitos envolvidos no projeto são atores e autores do processo.
Tema: A Arca de Noé
Disciplinas: Português, Matemática, Educação Artística, Ciências e Literatura Infantil.
Temas Transversais: Meio Ambiente, Natureza e Sociedade.

Educação Infantil

Procedimentais

· Construir coletivamente as combinações de convivência.
· Utilizar a leitura e a escrita tanto dirigida quanto espontânea de palavras, letras e frases relacionadas ao conto.
· Representar as músicas com auxílio do CD a partir de poemas musicados, mímicas e fantoches.
· Observar a audição de diferentes suportes lingüísticos (lendas, contos, fábulas e mitos trabalhados paralelamente).
· Confeccionar um varal de textos, mural coletivo com sucata.
· Fazer apresentações teatrais com base nos “contos’’.
· Confeccionar maquetes, desenhos, sucatas e painéis.
· Aplicar atividades lúdicas.
· Apresentar os personagens, suas origens e características através dos contos.
· Executar trabalhos com colagens, desenho e pintura.
· Desenvolver e experimentar atividades matemáticas (com personagens).
· Confeccionar e construir livrinhos com o tema, ressaltando as produções realizadas pelos alunos ao longo do projeto.
· Realizar a lecto-escrita em várias situações de interação.
· Participar de jogos e brincadeiras.

Atitudinais

· Valorizar e socializar as informações que os alunos possuem acerca do tema.
· Interessar-se pela obra, buscando novas informações relacionadas ao tema.
· Apreciar os contos e demonstrar criatividade e raciocínio lógico no reconto das histórias.
· Permitir e ampliar o conhecimento sobre o conto trabalhado.
· Valorizar a leitura e a escrita.

Conceituais

· Identificar os personagens.
· Reconhecer os diversos tipos de animais presentes nos contos.
· Comentar com ajuda do facilitador que assume papel de agente dinamizador da leitura.
· Tirar conclusões e explorar as múltiplas possibilidades que o educando possa oferecer.
· Aplicar atividades de caráter lúdico, além de promover a interdisciplinaridade lúdica.
· Enumerar as palavras e frases que mais instigaram as crianças.
· Narração e descrição dos fatos; pseudoleitura.
· Reconto de história.
· Linguagem escrita: lecto-escrita, desenho, colagem, pintura, escrita espontânea.

Justificativa

A escolha da obra A Arca de Noé se deve primordialmente à preferência temática presente na obra, tais como: ludismo, seguido de valores educativos focalizados no cotidiano, centrados na poesia escrita para o leitor infantil, trabalhando gradativamente traços formais relevantes, como simplicidade formal e sonoridade, contidos na maioria dos poemas abrilhantados por grandes intérpretes da Música Popular Brasileira, tais como Elis Regina, Toquinho, Fagner, Tom Jobim, dentre outros.

Marcus Vinicius da Cruz Mello Moraes nasceu no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, na mesma cidade, em 1933, ano em que publicou seu primeiro livro de poesias, O Caminho para a Distância. Em 1936, no Rio de Janeiro, atuou como representante do Ministério da Educação junto à censura cinematográfica. Em 1943, ingressou na carreira diplomática. Em 1958 iniciou sua participação no movimento da Bossa Nova com diversas parcerias: Baden Powell, Carlos Lira, Edu Lobo, Francis Hime, Pixinguinha, Tom Jobim e Toquinho.

Em 1960, publicou o poema O Pato na antologia Poesia Brasileira para a Infância, organizada por Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito. Em 1962, em São Paulo, foi ator do filme Pluft, o Fantasminha, de Jean Romain Lesage, baseado em peça homônima de Maria Clara Machado.

Produziu, em 1970, poemas infantis, como os de A Arca de Noé; posteriormente, em 1982, em São Paulo, houve o lançamento dos discos A Arca de Noé e A Arca de Noé 2.

A obra, associada a um projeto pedagógico que viabilize a troca de experiências e possibilidades de novas construções, permitirá aos educandos e ao mediador que se assumam epistemologicamente curiosos.

Metodologia e procedimentos

· Levantamentos dos conhecimentos prévios, estabelecendo um paralelo entre o conhecimento formal de maneira contextualizada, desafiando o aluno a pensar sobre o vivenciado.
· Produções coletivas e individuais de diferentes textos.
· Interpretação de diferentes linguagens.
· Ampliação do vocabulário oral e escrito.
· Registro escrito respeitando o nível de aquisição da escrita.
· Construção participativa das combinações de convivência.
· Apreciação de diferentes suportes lingüísticos: mitos, lendas, contos, fábulas.

Atividades

· Dinâmica de grupo.
· Pesquisa.
· Jogos diversos com os personagens (de memória, escrita das letras do alfabeto, imagens e palavras).
· Atividades matemáticas.
· Desenhos dirigidos e espontâneos.
· Observação realizada através de situações-problema, seguida de relatório.
· Dobraduras.
· Máscaras, fantoches e dedoches.
· Músicas.
· Pinturas.
· Listagens.
· Dramatizações.
· Leituras diversas, promovendo a interdisciplinaridade.
· Escrita espontânea.
· Adivinhações usando como tema os personagens trabalhados no conto.
· Mímicas.
· Seqüência de figuras.
· Colagem.
· Informativos.
· Aulas externas.
· Baralhos criativos.

Materiais didáticos/recursos

· CDs.
· Televisão/filmes.
· Sucatas.
· Internet/softwares.
· Tintas.
· Máquina fotográfica.
ATIVIDAATIVIDADES
O Pato

Lá vem o pato
Pato aqui, pato acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo

Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Orientações Didáticas
· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios.
· Ler o conto explorando e valorizando a linguagem oral.
· Após a leitura, instigar as crianças a cantarem, já que a música tornou-se um dos clássicos de autoria de Toquinho, Vinicius de Moraes e Paulo Soledade em interpretação de MPB-4, viabilizando o uso da inteligência sonora ou musical. Aproveite!
· Observar os animais que aparecem no conto, viabilizando o trabalho na área de Ciências Naturais.
· Questionar o que mais chamou a atenção no conto. Socializar com o grupo.
· Desenhar os animais presentes no conto.
· Escrever o nome dos animais.
· Construir cartazes com gravuras dos animais.
· Fazer colagens.
· Expor cartazes.
· Elaborar atividades de Matemática, Ciências Sociais e Português acerca do poema.
· Fazer dobraduras junto com as crianças para ilustração do cartaz.

Objetivos
· Fazer exposições orais com ajuda do educador e/ou das outras crianças.
· Participar de diálogos e rodas de conversa, fazendo e respondendo perguntas.
· Expressar seus desejos, suas vontades e necessidades através da utilização das linguagens gestual e oral.
· Pedir perguntas e esclarecimentos sobre os assuntos tratados ou as atividades propostas.
· Relatar pequenos fatos e experiências significativas.



O Relógio

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou

Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac…



Orientações Didáticas

· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios sobre a função do relógio.
· Levar as crianças a perceberem a noção de dia e de noite.
· Dramatizar o poema utilizando expressões corporais e sonoridade do texto (tic-tac).
· Estimular a criação de desenhos livres (espontâneos) sobre o poema.
· Montar o cantinho do relógio em sala de aula (exposição) com relógios antigos e modernos.
· Trabalhar as competências lógico-matemáticas (utilizando os numerais do relógio).
· Trabalhar as noções de seriação e quantificação.


A Casa

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa

Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque pinico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número zero.



Orientações Didáticas
· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios.
· Ouvir a música A casa (Toquinho e Vinicius de Moraes).
· Valorizar a linguagem oral, explorando a inteligência lingüística.
· Realizar a interpretação individual e coletiva.
· Realizar reconto.
· Realizar jogos de palavras.
· Realizar a pseudoleitura e leituras plásticas do texto.
· Trabalhar valores que envolvam a família e o aconchego do lar.
· Pesquisar, junto à família, o ambiente onde vivem (explorando a sua casa como instrumento de coleta de dados).
· Construir casas com sucatas (palito de picolé, palito de fósforo) e utilizar recursos de artes plásticas (tintas, papel picado, papel colorido).
· Dramatizar com os alunos.


O Pingüim

Bom-dia, pingüim,
Onde vai assim,
Com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado
Com medo de mim
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu-jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho da sua casaca.



Orientações Didáticas
· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios sobre os animais.
· Estudar os hábitats do pingüim (condições climáticas).
· Realizar leitura plástica.
· Fazer dobraduras.
· Construir cartazes com o texto e ilustrar com os alunos.
· Dramatizar o texto junto com as crianças.
· Trabalhar a inteligência naturalista ao explorar o hábitat do pingüim.
· Trabalhar os tipos de animais (aquáticos/terrestres).


O Gato

Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre

De um passarinho,
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.



Orientações Didáticas
· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios.
· Fazer a leitura do poema.
· Realizar danças contextualizadas.
· Estabelecer semelhanças e diferenças com o poema A Cachorrinha.
· Dramatizar jogos com mímicas, trabalhando a inteligência cinestésico-corporal.
· Despertar o interesse do educando ao ouvir a música.
· Representar através de desenhos.



A Cachorrinha

Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!
Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?
Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?



Orientações Didáticas
· Fazer o levantamento dos conhecimentos prévios sobre o animal em estudo.
· Trabalhar os animais domésticos, tendo como tema o cãozinho.
· Construir o cantinho Nosso Animal de Estimação, com fotos dos animais das crianças.
· Representar o texto através de desenhos (leitura plástica).
· Fazer dobraduras.
· Construir mosaico.
· Valorizar o cuidado com os animais.
· Realizar trabalhos artísticos com algodão, construindo painéis ilustrados, orientando-se pela citação do poema: “Pode haver coisa no mundo mais branca, mais bonitinha’’, desenvolvendo paralelamente a inteligência espacial, viabilizando trabalhos com gravuras e pinturas.

Avaliação

A avaliação do projeto pode ser realizada de forma processual, na qual serão analisados os aspectos qualitativos e adotados critérios para viabilizar a utilização dos recursos vivenciados. Partindo do pressuposto da necessidade de incentivar nos educandos o apreço pela literatura, a utilização da literatura infantil, aliada a intervenções lúdicas, motiva os alunos a ajudar toda a instituição na realização do projeto. A partir do banco de dados, conhecimentos prévios já adquiridos sintetizam o que seria trabalhado. Dessa forma, classifica-se a avaliação como sendo inclusiva, uma vez que os aspectos qualitativos permeiam todo o trabalho desenvolvido durante o projeto, e, mesmo após a culminância, são respeitadas as competências adquiridas pelos alunos, que continuarão a utilizá-las em outras situações.

Os resultados obtidos durante e após o projeto tendem a superar os esperados, já que os educandos internalizaram a importância da literatura na vida escolar e cotidiana, pois vivenciaram e experimentaram o mundo letrado por meio de atividades lúdicas que permitem uma viagem ao mundo imaginário e que oportunizam-lhes construírem suas próprias produções literárias.

Referências Bibliográficas

ANTUNES, Celso. A inteligência emocional na construção do novo eu. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

GARDNER, Howard. Estruturas da mente. A teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

PERRENOUD, Philipe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Namara Santos
namarasantos@bol.com.br


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