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Eu (Professor), a Sala de Aula e os Desafios da Prática Docente na Atualidade

Bruno Rogério Duarte da Silva

Neste pequeno texto, apresentaremos uma reflexão sucinta sobre o tema Eu (professor), a sala de aula e os desafios da prática docente na atualidade, objetivando a compreensão de alguns aspectos que norteiam a educação na contemporaneidade; dentre eles, gostaríamos de destacar: Eu (professor) e a profissão docente; Eu (professor) e a sala de aula; Eu (professor) e os desafios da prática pedagógica. Esperamos que todos os educadores ou profissionais docentes reflitam sobre suas posturas profissionais, suas práticas político-pedagógicas e seus limites e avanços na sociedade do conhecimento.

Eu (professor) e a profissão docente

O homem é um ser biopsicossocial que, aliado à dimensão espiritual, torna-se integral; ele é um ser no mundo, que só se realiza na coexistência, no encontro com o outro. Ele é a única criatura que sabe, além de criar, apreciar a beleza da criação. Como não pode viver sem ética, também não pode viver sem a estética.
Ao conviver em sociedade, constrói valores, tais quais: a honestidade, a solidariedade, a delicadeza, a sinceridade, a lealdade, o respeito e outros. Segundo TELES, o homem necessita recorrer constantemente “à ética, à coragem de decifrar-se, à confiança na própria vida, ao amor, como a manifestação mais elevada de interesse humano, de participação no grupo social, de respeito por si e pelo outro, e à verdade, que está acima de quaisquer interpretações, idéias ou opiniões” (1996:24). Isso se caracteriza como uma das primeiras necessidades do “Eu”, a necessidade ética.
A segunda necessidade do “Eu” é a estética. O homem sabe apreciar o belo, gosta de ser cercado pela beleza e sabe criá-la; ele criou a arte e com ela transforma o mundo e é transformado, pois a arte lida com as emoções, opera no campo da sensibilidade. É, sem dúvida, uma das mais belas manifestações do ser humano na relação com o mundo.
No campo da Filosofia, TELES defende que “a Ética e a Estética são maneiras de nos escutarmos, de dialogarmos, de nos encontrarmos, sinônimos do próprio ato de existir” (1996:28).
Segundo DELORS, “a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa — espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade” (2001:99). Todo ser humano deve ser formado, especialmente, pela educação ao longo da sua vida, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios valores, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.
Precisamos ser criativos e inovadores para desenvolvermos nosso ser. Isso nos proporcionará uma experiência profissional de sucesso, pois “aprender a ser” é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro. Nesse sentido, a educação é, antes de mais nada, uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade. É um processo individualizado e uma construção social interativa.
Em se tratando da profissão docente, o professor necessita investir na sua formação inicial, na formação continuada e no exercício da profissão. SACRISTÃN (1991) afirma que:
(...) a profissionalidade da ação docente se define por um conjunto de comportamentos, conhecimentos, destrezas, atitudes e valores, e, para que se compreenda como se dá a interação dessa profissionalidade, é necessário reconhecer três contextos: o contexto pedagógico, que ocorre na prática da sala de aula; o contexto profissional, que se define pelo saber técnico coletivo; e o contexto sociocultural, que se define pelos valores (apud KULLOK, 2000, p. 106–107).
O processo de profissionalização docente encontra-se em redefinição e diversificação das suas funções no seio das escolas. E, para constituir-se como tal, há uma série de exigências fundamentais, citadas por NOVOA (1991), tais como:
· O desenvolvimento pessoal: perspectiva crítico-reflexiva que viabilize um pensar e um agir autônomos, integrados ao processo de reorganização do sistema escolar; construção de uma identidade pessoal que também seja uma identidade profissional.
· O desenvolvimento profissional: em que a formação é vista como uma dimensão coletiva, investigativa, emancipatória, criativa, competente, com modelos diversificados e com a utilização de novas formas de trabalho pedagógico, como experimentação, inovação, ensaio, etc.
· O desenvolvimento organizacional: mudança do contexto facilita a mudança do profissional, que tem a responsabilidade de construir junto à escola o projeto político-pedagógico, pensado, executado e avaliado pelo coletivo; ambiente educativo de trabalho/formação.
Devemos aprender a ser, para melhor desenvolver a nossa personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal (op. cit, p.102), aprimorando a nossa profissionalização docente.
Eu (professor) e a sala de aula
A sala de aula é um espaço pedagógico onde acontecem as interações sociais favoráveis à construção do conhecimento e à troca de experiências, informações, idéias e opiniões que contribuem para o crescimento educacional do indivíduo. Nela, a ação pedagógica estruturada no trabalho de grupos, além de propiciar as necessárias trocas de informações, cria situações que favorecem o desenvolvimento da sociabilidade, da cooperação e do respeito mútuo entre os alunos, garantindo aprendizagens significativas.
Na sala de aula, a função do docente é promover a aprendizagem dos alunos, reconhecendo a importância de envolvê-los; mobilizar seus processos de pensamentos; explorar todas as dimensões e oportunidades de aprendizagem; fazer e refazer percursos; criar e renovar procedimentos, visando sempre seus alunos reais, que formam grupos com características próprias.
Sendo o professor o mediador do processo ensino–aprendizagem na sala de aula, este, segundo CARVALHO & PÉREZ, deve:
Conhecer os conteúdos a serem ensinados.
Conhecer e questionar a realidade.
Adquirir conhecimentos teóricos sobre aprendizagem (...).
Estabelecer relações dos conteúdos específicos com a realidade sociocultural dos alunos.
Refletir criticamente sua ação pedagógica.
Saber preparar atividades capazes de gerar uma aprendizagem efetiva.
Saber dirigir o trabalho dos alunos.
Saber avaliar.
Utilizar a pesquisa e a inovação (1995:19).
É necessário também o professor saber organizar o espaço de sala de aula para que esta se torne um ambiente vivo e dinâmico, pois diferentes atividades requerem diferentes necessidades e diferentes arrumações. Podemos desenvolver o trabalho pedagógico em diferentes espaços, a saber: pátio, jardim, quadra, laboratório, sítio, terreno e outros lugares.

Eu (professor) e os desafios da prática pedagógica


DELIZOICOV et al. (2002) afirmam que os desafios do mundo contemporâneo, particularmente os relativos às transformações pelas quais a educação escolar necessita passar, incidem diretamente sobre os cursos de formação inicial e continuada de professores, cujos saberes e práticas, tradicionalmente estabelecidos e disseminados, dão sinais inequívocos de esgotamento. Dentre os desafios, ele destaca: a superação do senso comum pedagógico; a socialização do saber científico ao alcance de todos, ou seja, ciências para todos; a inserção da ciência e tecnologia na escola como cultura; a incorporação dos conhecimentos contemporâneos em ciência e tecnologia em todo o sistema escolar, inclusive na formação dos professores; a superação das insuficiências do livro didático; e a aproximação entre pesquisa e ensino.

GONÇALVES (1993:19–20) afirma:
No que se refere às Ciências, considerar os conhecimentos que a criança possui, a sua experiência, é o ponto inicial no caminho da ampliação do conhecimento em níveis mais amplos e profundos. Para tanto, o professor norteará a diretriz do seu trabalho inspirado na convivência com a criança, ajustando sua conduta a cada situação, com consciência do procedimento adequado que dará sentido ao processo educativo, sempre levando em consideração os objetivos do ensino das Ciências.
Nos anos 90, surgiram diversas concepções a respeito da formação continuada de professores. O termo formação ou educação continuada traz uma crítica a termos anteriormente utilizados, tais como: treinamento, capacitação, reciclagem, que não priorizavam a construção da autonomia intelectual dos professores.
Enquanto isso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 diz no artigo 63, parágrafo III, que “Os institutos superiores de educação manterão: programas de educação continuada para os profissionais da educação dos diversos níveis”; no artigo 67, parágrafo II, que “Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes (...): aperfeiçoamento profissional continuado (...)”.

CHRISTOV argumenta que:
A educação continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humano, como práticas que se transformam constantemente. A realidade muda, e o saber que construímos sobre ela precisa ser revisto e ampliado sempre. Dessa forma, um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos, principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática, bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (2001, p. 9).
A formação continuada dos professores pode ser caracterizada como um programa de diferentes ações que envolvem cursos, congressos, seminários, reuniões pedagógicas e departamentais coletivas, orientações técnicas e estudos de grupo ou individuais. A mesma pode ser entendida como um processo dinâmico por meio do qual, ao longo do tempo, um profissional vai adequando sua formação às exigências de sua atividade profissional.
MERCADO (apud Frigotto, 1996) afirma que um desafio na formação do educador é a questão da formação teórica e epistemológica, e o locus adequado e específico de seu desenvolvimento é a escola e as universidades, nas quais se articulam as práticas de formação-ação na perspectiva da formação inicial e continuada (1999, p. 40).

Destacaremos os desafios mais freqüentes na escola e na sala de aula que incidem diretamente na prática pedagógica do professor:

· Sociedade, família e escola em conflitos e com problemas.
· Desenvolver a competência cognitiva (domínio do conhecimento).
· Desenvolver a competência pedagógica (concepções, currículo, metodologia, avaliação e planejamento).
· Desenvolver a consciência política (lutar pelos direitos e exercer a sua cidadania).
· Trabalhar com projetos de trabalhos ou didáticos.
· Gerir o tempo pedagógico.
· Contextualizar o processo avaliativo.
· Identificar na sala de aula os alunos–aprendizes: interativos, analíticos, pragmáticos e dinâmicos (LE FEVER, 2003).
· Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
· Administrar a progressão das aprendizagens.
· Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação.
· Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho.
· Trabalhar em equipe.
· Participar da administração da escola.
· Informar e envolver os pais.
· Utilizar novas tecnologias.
· Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão.
· Administrar sua própria formação contínua (PERRENOUD, 1999).
· Conhecer e praticar os pilares da educação, propostos pela Unesco: aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a conviver ou a viver juntos e aprender a fazer.
· Dialogar com seus alunos.
· Problematizar os conhecimentos.
· Conscientizar seus alunos.
· Facilitar a participação e o pensamento.
· Tomar decisões conscientes.
· Disciplinar seus alunos com afetividade (amor).
· Estabelecer parâmetros ou limites com os alunos.
· Fazer o planejamento.
· Capacitar-se constantemente (formação continuada).

Considerações Finais

É muito complexo concluir um texto sobre esse tema; desenvolver o ser é tarefa contínua de todos nós, pois nos exige o despertar da consciência com habilidade, coragem, dedicação e compromisso. É necessário transformarmos nossas salas de aulas em espaços de vida, de construção de conhecimento, alegria e esperança. Aqui encerramos com os sete saberes necessários à educação do futuro, enunciados por MORIN (2003):
As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; os princípios do conhecimento pertinente; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas; ensinar a compreensão e a ética do gênero humano constituem-se eixos e, ao mesmo tempo, caminhos que se abrem a todos os que pensam e fazem educação e que estão preocupados com o futuro das crianças e dos adolescentes (p.12).



Referências Bibliográficas
CARVALHO & GIL PÉREZ. A formação dos professores de ciências. São Paulo: Cortez, 1995.
CHRISTOV, Luiza Helena da Silva. Educação continuada: função essencial do coordenador pedagógico. In: O coordenador pedagógico e a educação continuada. São Paulo: Loyola, 2001.
DELORS, Jacques et al. Educação: um tesouro a descobrir. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1999.
KULLOK, Maisa Gomes Brandão. Formação de professores para o próximo milênio: novo locus? São Paulo: Annabluma, 2000.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. Lei nº 9394, promulgada em 20/12/1996. São Paulo: Editora do Brasil, 1997.
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS. Relatora Cons. Guiomar Namo de Melo, processo 2001.000309/97-46. Parecer nº CEB 1598. Aprovado em 01/06/99. Ministério da Educação e do Desporto. Conselho Nacional de Educação.
MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Formação continuada de professores e novas tecnologias. Maceió: Edufal, 1999.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2003.
PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

* Graduado em Pedagogia pela Ufal e pós-graduado em Docência Universitária. Aprovado no Mestrado em Educação Brasileira/04 – Ufal. Professor da Semed, Fafiteal, SEE e Funesa.




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