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APRENDENDO A CONVIVER COM A DIFERENÇA

O tema Convivendo com as Diferenças, inserido na discussão mais ampla sobre inclusão e respeito ao outro, constituiu-se no fio condutor na realização de vivências, reflexões e atividades experienciadas pela nossa escola durante o ano de 2005.

Em consonância com o projeto político-pedagógico da instituição, que fundamenta sua práxis na teoria sociointeracionista e na formação do sujeito crítico-reflexivo, buscamos, junto ao coletivo da escola, sensibilizar para as diferenças. Nossos objetivos específicos consistiram em desenvolver novas formas de compreensão humanitárias, lançando o olhar à diversidade socioeconômico-cultural e à singularidade do ser humano. Através de reflexões e pesquisas, os alunos e as alunas perceberam que o ser humano que pensa o homem em suas múltiplas possibilidades ou diferenças se contrapõe ao que o pensa como ser massificado, homogeneizado, enfim, assujeitado a um único padrão ético-estético. Viram, então, que essa mudança de pensamento muda nossas vidas, pois, com o respeito às diferenças, reconhecemos o outro e nos encontramos em formas próprias de ser. Ao contrário, na homogeneização, no preconceito, nos ideais únicos e absolutos, excluímos o outro, negamos a alteridade e acabamos por negar a nós mesmos por ficarmos cegos às diferenças.

A experiência obtida através desse tema não só retomou com toque de afetividade o trabalho de inclusão (tão presente no nosso cotidiano escolar), mas, além da concepção da diferença no plano do humano, partimos para vivenciar essa idéia em vários âmbitos através dos quais tornamos mais concreto e próximo um conceito tão complexo.

Assim, trabalhamos a diferença de uma maneira globalizada e ampla, fazendo ponte com saúde, meio ambiente, socialização, etc. Partimos, então, para encadear vivências concretas para nossos objetivos específicos.

Diferença e Crença

Confirmando o direito à diferença e a identidade de cada ser, iniciamos o nosso trabalho utilizando essa temática na Páscoa, por considerar este um momento reflexivo de transformação de atitudes e valores, de uma cultura de paz, igualdades de direitos e compreensão do outro.

As atividades tradicionais de lanche coletivo, desenhos dos símbolos, leitura de textos da época culminavam com uma auto-avaliação (o que posso melhorar em mim, como eu me vejo), abrindo um novo olhar sobre si e o outro. O grupo percebeu nas atividades a contribuição de cada um, o diferencial de cada criança, o que foi importante acontecer, porque demonstrou que todos têm uma especificidade, algo que complementa o outro. Essa dinâmica foi primordial para o trabalho com o conceito de diferença enquanto diversidade humana, cultural, social, racial e religiosa. Por fim, houve a exposição de um painel que retratou de maneira lúdica a identidade de cada criança e a sua visão sobre o respeito às diferenças e à liberdade religiosa. A grande conclusão foi de que respeitar as diferenças não significa transformá-las em um jeito próprio, mas estático, de ser. Ou seja, esse respeito não deve implicar uma “desculpa” para se fixar em um “eu sou assim e pronto”. A diferença pautada na alteridade implica um constante transformar-se, uma evolução.

Diferença e Meio Ambiente

Diante de uma reflexão tão significativa, partimos para a questão de conservação da natureza, com o objetivo de reassegurar uma consciência ecológica em nossos alunos e nossas alunas. As vivências de contato in loco oportunizaram a interação criança/biodiversidade: a escuta dos animais, a trilha na Mata Atlântica, o banho de cachoeira foram experiências reais que despertaram a consciência das reais necessidades que envolvem a relação entre homem–natureza, visando o cuidado com a qualidade de vida. Acima de tudo, foi trabalhado o entendimento de que cada ser tem sua importância e função em um todo que só funciona bem se for diverso. Preservar a biodiversidade, ou seja, a diferença na natureza, é sustentar a vida do planeta. Pensar ecologicamente é pensar a alteridade biológica em sua interdependência com cada um de nós.

Diferença e Nutrição

No projeto didático Frutas, aprofundamos a diferença na alimentação. Ampliamos o conhecimento das crianças e sua experiência com uma gama maior de alimentos, refletindo sobre sua função nutritiva. Nesse contexto, exploramos as frutas, através de atividade de plantio, coleta, compra e consumo. A culinária também foi um veículo de grande sensibilização. Destacamos uma pesquisa sobre o umbu, fruta típica do sertão nordestino. Os alunos puderam tocar, sentir, saborear, estudar o seu valor nutritivo e cozinhar a famosa umbuzada. Aprenderam a valorizar como o povo sertanejo desenvolve a sustentabilidade, criando uma melhor qualidade de vida na região. Essa pluralidade cultural vivenciada trouxe às crianças uma reflexão sobre a concepção de cultura como sendo criar e recriar, considerando o respeito às diferenças.

 

A Diferença e A Idade

Em agosto, no folclore, nos desafiamos a trabalhar a compreensão da diferença na idade. A proposta era de os alunos e as alunas criarem atividades de conteúdo de cultura popular e folclórico para apresentarem levando algum ensinamento para crianças de faixas etárias menores. E foi assim que as 4ªs séries, por exemplo, escreveram e encenaram a peça teatral Chapeuzinho Vermelho na Defesa da Floresta Encantada, que reunia personagens de contos de fadas e de lendas folclóricas na construção de uma floresta limpa, sem poluição e com união de todos que habitavam nela. O público, as crianças da Educação Infantil, aprendeu de uma forma diferente, e os alunos e as alunas da 4ª série puderam compartilhar o encantamento dos pequeninos. Já a 3ª série trabalhou a elaboração de um jogo que envolvia o tema Folclore para os Alunos em Processo de Alfabetização. Construíram um jogo da memória com os personagens das lendas indígenas e afro-brasileiras. Depois, jogaram com os menores e foi delicioso. Assim, cada série criou suas atividades e “ensinou” aos menores com todo o cuidado. Essas atividades trouxeram um olhar inovador, que buscou o senso de responsabilidade em cada membro do grupo e envolveu-os numa relação de afetividade e conhecimentos dos limites e das necessidades do próximo. “Desse jeito fica difícil, eles não vão entender”, diz um aluno alertando o grupo. “Temos que usar muita cor e muita música, porque eles vão gostar”, dizia outro, e assim aprendiam a se colocar no lugar de um menor.

Diferença e Linguagem

No projeto didático A Viagem da Língua Portuguesa, tivemos como objetivo geral traçar uma linha histórica da evolução da expressão lingüística, nas suas variações orais e escritas. Fazer um resgate desde o Português rudimentar até a introdução do hipertexto no cotidiano.

Foram diversas pesquisas realizadas: a origem da língua e da escrita, a expansão da Língua Portuguesa e alguns gêneros textuais da tipologia narrativa (inclusive e-mail). Vivências como dramatizações de contos da cultura chinesa e aulas práticas com profissionais da área de comunicação fizeram parte do rol de atividades que caracterizaram o conviver com culturas e gêneros lingüísticos diferentes.

O produto final desse projeto foi a construção de um jornal televisivo. Mostrando, através deste, notícias do mundo comunicativo, abordando, inclusive, três formas diferentes de se comunicar, através da pintura, da expressão corporal, da encenação teatral e da língua de sinais em uma comunidade de surdos. Os alunos curtiram muito as filmagens, e o preparo das reportagens foi vibrante e proveitoso.

Diferença, Arte e Compromisso Social

Comunicando a questão da diferença na sociedade, por fim, os alunos do Instituto Helena Lubienska realizaram uma exposição de artes num grande shopping da cidade. O tema A Estética das Diferenças – uma Compreensão do Mundo Através da Arte foi expressado através de pinturas e esculturas feitas de argila. Deram uma aula de cidadania e respeito ao próximo durante a exposição realizada no Paço Alfândega. Assim, a escola conseguiu passar para a sociedade em geral o trabalho que foi realizado durante todo esse ano junto aos estudantes, cujo tema Convivendo com as Diferenças norteou as ações realizadas internamente. Os trabalhos expostos foram produzidos por alunos a partir da Educação Infantil (alfabetização) indo até o Ensino Médio. Mais de duzentos trabalhos, entre pinturas, desenhos, colagens, esculturas e fotografias, retrataram situações que mostravam a aceitação das diferenças entre as pessoas, sejam de cor, time, religião, limitações e características físicas, idade, etc...

Os alunos mostraram em seus trabalhos lições transmitidas nas salas de aula que levarão para toda a vida. “Acho que devemos respeitar o outro do jeito que ele é. Feio ou bonito, gordo ou magro ou com cadeiras de rodas”, disse uma aluna da alfabetização. A sensibilidade dos estudantes chamou a atenção dos consumidores que estavam no shopping, interrompendo as compras para ver a exposição. Valeu!

Equipe Pedagógica do Instituto Helena Lubienska



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